Submersa

A maternidade é tão antiga quanto a humanidade. A reprodução humana sempre foi e ainda é um mecanismo essencial para a sobrevivência da nossa espécie. Com o nascimento dos bebês, automaticamente nasceriam as mães? Bebês humanos precisam de cuidados parentais para sobreviverem. Nascem sem saber se alimentar, nem andar ou se defender. A biologia do corpo da mãe tende a se transformar em um hiperfoco para atender as necessidades do filhote ali, frágil e indefeso. Esta alteração impacta a sua forma de pensar, agir e viver de modo geral. Surge, desta forma, o maternar, um mundo que gira em torno de atender as demandas decorrentes da chegada do bebê, com o único e exclusivo objetivo de garantir a sobrevivência da espécie. Entretanto, há séculos já não agimos mais apenas em função do instinto de sobrevivência. Nossa racionalidade vai muito além dele. Nosso contexto envolve muito mais além do simples natural. Nossa vida gira em torno de uma sociedade que busca visibilidade, aceitação e inclusão em padrões criados e estabelecidos como desejáveis para mães e famílias. Este período escancara fragilidades, culpa, desejo de não julgamento e a vontade de fazer com que a nova vida apenas se encaixe na velha. Será que a mãe não pode escolher? Será que ela pode ter tudo que deseja sem ser consumida pelas demandas? De onde aparecem tantas demandas? Onde encontrar refúgio? Respiro? Tempo? Como sair desta imensa carga mental que envolve as mulheres contemporâneas no puerpério a ponto de aproximá-las ou mergulhá-las num burnout? O corpo padece. A alma chora. Os olhos gritam. Até quando? As demandas consomem a mãe a ponto de fazê-la sumir e se perder dentro do seu caos. A mulher, submersa. O puerpério é um momento onde a saúde mental da mulher deveria ser a prioridade, e é muito negligenciado por todos que a cercam.